Micro-Seguros em Moçambique - Situação e perspectivas (Download Documento completo (PDF)) O trabalho foi realizado por: Sophie TEYSSIER (Maio 2008) |
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RESUMO
EXECUTIVO Num contexto de crescimento acelerado da
indústria de Micro-finanças em
Moçambique, parece-nos pertinente analisar o
potencial para o desenvolvimento de
micro-seguros. O micro-seguro é caracterizado mais pelo
segmento de mercado ao qual se destina - a
população de baixa renda - do que por
outros critérios "técnicos". De
facto, a actividade de MS pode abarcar todos os
tipos de seguro existentes no mercado. O seu
aspecto "micro" resulta tanto dos valores de
prémio que a população alvo
está ou estaria em condições
de pagar, como dos valores também limitados
dos benefícios a pagar aos clientes, em caso
de necessidades. Depois de uma revisão dos
princípios básicos da actividade de
seguros, são descritos os produtos
"clássicos" de micro-seguro, os seguros
oferecidos pelas IMF aos seus clientes, seja
directamente (no seio da IMF) seja através
de parceiras com empresas especializadas e
profissionais. Trata se de: ==> seguro de vida ligados ao crédito
(o seguro cobre o saldo do crédito em caso
de falecimento do mutuário), ==> benefícios adicionais (além
do saldo de crédito, o seguro paga um
determinado capital à família) ==> vidas adicionais (sempre no âmbito
do crédito, o seguro paga um determinado
capital ao mutuário em caso de falecimento
de um familiar assegurado) e ==> continuação (o seguro
é oferecido além do
crédito). O seguro de saúde é outro ramo
ainda em investigação, e de
particular interesse para as IMF/OMF. As
experiências internacionais nesta
matéria são diversificadas: seguros
"comunitários", parceria IMF/seguradora,
poupança-saúde com seguro. Os estudos
mostram que, em todos os casos, o seguro melhora o
acesso aos serviços de saúde. No caso
dos esquemas de seguro comunitário,
não se registaram fenómenos massivos
de risco moral (moral hazard); e os segurados
tendem a ser melhor tratados. O produto de
poupança-saúde com seguro destina-se
antes de mais a uma classe média que
dispõe de um orçamento próprio
para "saúde" e pode assumir os primeiros
custos. As parcerias entre IMF e seguradoras
privadas têm sido promovidas pelas
instâncias internacionais. Apresentam
várias vantagens, entre as quais: - uma gestão rigorosa, por uma empresa
especializada e profissional , - uma maior "diluição" dos riscos,
num conjunto (pool) de clientes mais
diversificados O seguro agrícola, que aumenta a
capacidade de investimento do pequeno produtor e o
seu acesso à créditos
bancários, fracassou no passado. Uma nova
abordagem, baseada em índices
meteorológicos, está a ser
experimentada com sucesso na Índia,
Nicarágua, e, mais recentemente, no Malawi.
Este seguro climático, mais focalizado e de
aplicação mais ágil,
está a provocar grandes expectativas. Em Moçambique, as actividades de seguro
são regidas pela lei 3/2003 e pelos decretos
41 e 42 /2003 ; são supervisionadas pela
Inspecção Geral de Seguros,
instância de supervisão e de tutela
delegada pelo Ministério das
Finanças. A lei especifica em particular as
condições para início e
exercício da actividade de seguro. A
actividade de seguro deve ser objecto social
exclusivo da sociedade. O capital mínimo
para abrir uma seguradora é de 33
milhões de Meticais para as seguradoras
"Não Vida" e de 17,5 milhões para as
sociedades mútuas no mesmo ramo; para o ramo
Vida o valor é de 67 milhões. A
médiação de seguros pelos
bancos é restringida à parceria com
uma única empresa seguradora. Moçambique conta com 5 seguradoras
e uma reassuguradora, sendo todas elas empresas
privadas com fins lucrativos. A oferta de seguros
é bastante vasta, embora vocacionada
predominantemente para um público de classe
média-alta. Os custos administrativos
necessários para gerir vários seguros
de pequenos valores, bem como o desconhecimento
deste segmento de mercado, fazem com que ainda
hajam poucos produtos de "micro-seguros" ou seguros
dirigidos para a população de baixa
renda. No entanto, há algumas
experiências de parceira entre seguradoras e
IMF / OMF, diversamente avaliadas. Também
existem algumas experiências de seguro bem
sucedidas promovidas pelas IMF/OMF, referentes ao
seguro de vida ligado ao crédito, bem como
ao seguro de funeral. A procura de seguros é muito
grande, como atesta a diversidade dos mecanismos
informais implementados pela
população de baixa renda. No contexto
urbano, o seguro mais procurado é o seguro
de funeral, seguido pelo seguro de saúde, do
qual são excluídos todos os actores
do sector informal (os trabalhadores do sector
formal tem o recurso do INSS e da entidade
empregadora). No contexto rural, não foram
identificados em Moçambique mecanismos
informais ou comunitários de seguro, quer de
saúde, quer de agricultura. O seguro
agrícola/climático apresenta no
entanto um forte potencial para as
instituições e
organizações que trabalham no campo,
incluído IMF / OMF envolvidas em
micro-finanças rurais. Para fomentar um melhor acesso das
populações de baixa renda ao seguro,
o estudo propõe: ==> Por um lado, a promoção
deste serviço junto às IMF / OMF, e a
promoção deste segmento de mercado
junto às seguradoras, criando mecanismos
para um melhor conhecimento mútuo,
fomentando parcerias. ==> Por outro lado, uma revisão da
lei, criando mecanismos para a
criação de micro-seguradoras, com
actividades restritas, através das IMF/OMF
que estão já em contacto com a
população alvo, quer urbana, quer
rural, e de outras entidades legais para o
desenvolvimento dos micro-seguros em
Moçambique. ==> Algumas recomendações
são também feitas para a comunidade
dos doadores. |
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