ELABORAÇÃO
DE POLÍTICAS E PLANOS DE COMBATE AO HIV E SIDA NO
LOCAL DE TRABALHO, NAS INSTITUIÇÕES DE
MICROFINANÇAS
ELABORADO POR:
ARMANDO NELSON TOVELA
MAPUTO, MARÇO DE
2008
SUMÁRIO
EXECUTIVO
No âmbito da Estratégia Nacional de
Microfinanças em Moçambique, a
Direcção Nacional de Promoção
do Desenvolvimento Rural (DNPDR), encontra-se a
implementar diversas sub-componentes inseridas no
projecto: "Construíndo Um Sector Financeiro
Inclusivo em Moçambique", com o apoio do
PNUD/UNCDF e que inclui uma sub-componente de
HIV/SIDA.
No âmbito da Sub-componente de HIV/SIDA, a DNPDR
contratou serviços de Consultoria para prestarem
Assistência Técnica a cinco (05)
Instituições de Microfinanças
interessadas, para o desenvolvimento de políticas
e planos de prevenção e combate ao
HIV/SIDA.
Foi estabelecido que a Assistência
Técnica deveria ser dada a
Instituições de Microfinanças que
demonstrassem interesse e aderissem voluntariamente
à iniciativa, cuja finalidade última
é a redução da
propagação das infecções pelo
HIV e SIDA e mitigação das suas
consequências.
Neste contexto o trabalho foi desenvolvido junto de
cinco Instituições de Microfinanças,
que a seguir se descriminam: Associação
Progresso (Progresso), na vila de Mueda; Primeiro
Programa de Microcrédito (PPM) de Cabo Delgado, na
Cidade de Pemba; Microbanco Malanga (MBM), em Boane,
Província de Maputo; União das
Associações de Crédito
(UNACRÉDITO), na Cidade de Maputo e Tchuma
Cooperativa de Crédito e Poupança (Tchuma
CCP), também da Cidade de Maputo.
Foram definidos como objectivos da Consultoria, a
mitigação dos impactos do HIV e SIDA,
através de políticas e programas de
HIV/SIDA no local de trabalho, no Sector de
Microfinanças.
Assim, no processo da realização destes
objectivos foram desenvolvidas 15 sessões de
trabalho com as cinco (05) Instituições de
Microfinanças acima indicadas, previamente
seleccionadas e que aceitaram aderir à iniciativa.
Nestas sessões foram realizadas
formações sobre diversas matérias
relacionadas com o HIV e SIDA e elaboradas
políticas e desenhados planos para a
prevenção e combate ao HIV/SIDA. No total
foram abrangidas por esta formação 149
pessoas: 102 da UNACRÉDITO; 18 da Progresso; 11 da
Tchuma; 10 do PPM e 08 da MBM.
No que se refere às formações,
estas incidiram sobre matérias relativas às
taxas de prevalência do HIV e SIDA em
Moçambique, em particular nas Províncias
onde as Empresas estão localizadas; as
consequências da epidemia, as formas de
transmissão e de prevenção e o teste
voluntário, para melhor definição de
estratégias e prioridades.
As sessões de sensibilização e
formação culminaram com a
realização de testes voluntários de
HIV, em duas das cinco Instituições
beneficiárias do projecto. No total aderiram e
realizaram o teste, 118 pessoas: sendo oitenta (80)
pessoas na UNACRÉDITO e trinta e oito (38) pessoas
na Tchuma. Na UNACRÉDITO, das 80 pessoas que
realizaram o teste, 11,5% são seropositivas. Na
Tchuma, das 38 pessoas que realizaram o teste, 15%
são seropositivas. Em média a taxa de
prevalência do total dos que se testaram nas duas
Empresas, é de 14%.
No processo de elaboração de
políticas e planos, foram analisados a Lei 05/02,
o PEN II, as Directrizes da OIT sobre a matéria e
os modelos de planos de prevenção e combate
ao HIV e SIDA, utilizados no projecto de combate ao HIV e
SIDA implementado pelo Sector Privado, sob gestão
da Austral Consultoria e Projectos e que se denominou
AVANTE. Com base nestes dados, foram elaboradas as
políticas e os planos para cada uma das
Instituições, tendo em conta as suas
especificidades.
As formações e os exercícios de
elaboração de políticas e planos de
prevenção e mitigação dos
impactos do HIV e SIDA, por si só também
constituiram momentos de campanha para a
prevenção da epidemia. Neste sentido em
todo o processo, foram distribuídos a todos os
participantes, materiais IEC e de prevenção
e mitigação do HIV e SIDA, nomeadamente: os
preservativos masculino e femininos, os laços de
vida (vermelhos e que simbolizam o combate à
epidemia), brochuras sobre formas de transmissão e
prevenção da epidemia e
nutrição para pessoas vivendo com o
HIV/SIDA (PVHS) e cartazes sobre os direitos e deveres
dos trabalhadores na prevenção e combate
à epidemia.
Para assegurar a implementação das
políticas e dos planos elaborados foram
constituídos em três das 5
Instituições beneficiárias,
Núcleos de Prevenção e Combate ao
HIV/SIDA, integrando pelo menos um dirigente da
respectiva Instituição.
Todas as Instituições mostraram maior
interesse num programa dirigido igualmente aos seus
clientes e não aquele que se dirige apenas aos
seus trabalhadores.
Apesar dos resultados positivos alcançados, a
maioria das Instituições de
Microfinanças concederam, no máximo
três sessões de duas horas de tempo, um
espaço de tempo extremamente reduzido, para o
conjunto das tarefas que deveriam ser desenvolvidas.
Algumas das Instituições visadas,
exigiram que o trabalho fosse realizado fora das horas
normais de trabalho, o que quebrou a
motivação e o nível de
participação dos trabalhadores, que
consideram este tempo como seu direito e para tratar de
seus programas particulares.
Em algumas das Instituições
beneficiárias, observou-se um fraco cometimento e
envolvimento dos dirigentes, o que poderá ter
contribuído para fraca adesão aos testes
voluntários. Apesar de a maioria das pessoas ter
realizado o teste, isto ocorreu apenas em duas das cinco
Instituições abrangidas pela
Assistência Técnica.